segunda-feira, 8 de julho de 2013

OS TROVÕES DA PAULISTA.



Desde a confusão gerada pelos comentários do Arnaldo Jabour que desejo escrever sobre os últimos acontecimentos no Brasil. Mas os fatos tomaram dinâmica própria, atropelaram o cotidiano e a lógica das coisas. Virou tsunami, festa e depredações. Virou casa da mãe Joana, uma balbúrdia: de um lado a festa da democracia, do outro a festa do caos; talvez sejam lados opostos da mesma moeda.
Ninguém acertou as motivações, chegou-se num momento em que apenas observávamos as coisas acontecerem. Sem interferências, apenas espectadores de um show.
As razões primevas de todo o movimento eram os custos do transporte público, sua qualidade e apostava-se na possibilidade da gratuidade do mesmo. E com isso foi-se à rua, gritou-se, quebrou-se. As autoridades desnudaram-se como nunca. Apressaram em diminuir os preços e, de quebra, outras autoridades, ouvindo "os gritos da rua", apressaram-se também em aprovar projetos há muito dormindo em alguma gaveta. Progrediu-se um pouco. Mas a calma, ou o marasmo, está voltando devagar, e as chuvas grossas estão já no horizonte, um lampejo ou outro de trovões muito ao longe se ouve. Nada mais.
O problema de fundo nem foi, sequer, arranhado, percebido, estudado.
A qualidade de um transporte público, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, nunca serão boas. Talvez consigamos, com muito custo, torná-los razoáveis, por um simples e singelo motivo: do jeito como foram construídas nossas cidades, não há como haver um transporte de qualidade. Cidades gigantescas, caóticas, superpopulosas não são propícias a um transporte que opere numa lógica razoável. O carro foi eleito, há décadas, o transporte ideal, desejado e desejável. O governo, numa lógica mais que burra, mais que irresponsável, faz de tudo para tornar os financiamentos de carros mais acessíveis a todos os mortais. Assim como ter uma casa própria, um brasileiro não está feliz se não tiver seu carro na garagem. Isso é ensinado desde a mais tenra infância! Até por que taxam-se os carros com impostos abusivos, coercitivos, e o povo se mete em financiamentos de anos para ter seu carro novo.
Além disso, a nação brasileira gosta de se sentir por cima. Ter um carro é sinal de status, de poder.....E aí, não havendo espaço físico nas ruas, os carros disputam espaço com os ônibus, que andam cada vez mais devagar, contribuindo para a "péssima qualidade do transporte público", retroalimentando o sistema de valores que nunca permitirá que se faça um sistema inteligente de transporte. A cobra comendo seu próprio rabo.
Ninguém me tira da cabeça a idéia de que as fábricas de automóveis devem jorrar alguns milhares de reais em lugares estratégicos para que essa situação permaneça como está.
De lambuja, como um troco nessas negociações, cairam algumas pecs nocivas. Ainda bem.
E nossa presidente, sendo fiel ao grupo a que pertence, já incluiu mais um aborto nessa negociação, querendo um plebiscito que não vem ao caso. Ainda bem que se está vendo a decadência deste grupo, que está operando de reboque aos fatos.
Quero ver se todas as promessas dos royaties para educação e saúde serão cumpridas.
O Brasil precisa demais de educação. Sem ela seremos cada vez menos, desceremos a ladeira que nos levaram a seguir.
O gigante, na minha opinião, apenas deu uma acordadinha, levantou-se da cama e foi dar uma mijada. Já voltou prá cama, está quase dormindo de novo.
E os trovões, ao fundo, são o único som que, de vez em quando, se ouve por aí.

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